segunda-feira, 28 de abril de 2008

A morte da (minha) menina

José Pedro Goulart

De Porto Alegre (RS)



Tentei pensar em outro assunto. Tentei. Mas não consegui (aliás, não consigo). O rosto da filha dele me vem a toda hora, o rostinho dela. Uma menininha. Li nos jornais que ouviram ela dizer: "pára, papai". Ela pediu para parar? Valha-me minha Nossa Senhora, ela pediu para parar? Parar o quê?

Há quem critique a imprensa por estar dando um destaque exagerado ao assassinato da menina Isabella, inclusive vendo excessos naquilo que chamam de "condenação prematura" do pai e da madrasta. E eu, querendo me agarrar numa lógica que sempre segui, de ver os dois lados, esperar os fatos - como se essa lógica fosse uma bóia - só me afundo num mar profundo de raiva, de dor. Essa bóia não me serve nesse mar.

É que me vem o rosto dela, já sonhei e acordei pensando nele. E fiquei obcecado pela voz também, de tal maneira que me pus em pranto outro dia quando minha filha disse "pára, papai", isso quando eu fazia cócegas nela. A morte da filha dele pôs a minha bóia, na qual venho me sustentando por uma vida, em xeque. Me surpreendi querendo vingança. Descuidado, pensei em justiça a qualquer preço. Perdi um tanto de civilidade.

A briga, a surra, o desfalecimento. Em seguida, o teatro: o corte da rede, primeiro com uma tesoura, depois com uma faca (depressa, depressa!) e então o arremesso da criança AINDA VIVA. Valha-me, valha-me, valha-me o diabo. De que somos feitos? Quem é que somos? É possível alguma ordem nesse inferno?

Houve um crime terrível. Uma menina foi morta. Não, ela não se chama Isabella. Essa é a filha dele. Houve um "outro" crime terrível. E esse diz respeito a mim. Dentro de mim morreu uma menina que, apesar de eu ter envelhecido sempre procurei mantê-la assim, uma criança. E essa menina eu chamava de Ilusão.



José Pedro Goulart é jornalista, cineasta e diretor de filmes publicitários.


"Senhor, dá-me serenidade para aceitar tudo aquilo que não pode e não deve ser mudado. Dá-me força para mudar tudo o que pode e deve ser mudado. Mas, acima de tudo, dá-me sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

Agradeço à amiga Alessandra por permitir a cópia deste texto.
Decidi colocá-lo aqui como uma demostração dos sentimentos que tenho neste momento.
É triste, irracional, inimaginável, um pesadelo...
Onde estão os valores familiares?
Onde está o respeito pela vida do próximo?
Onde está o amor??????

4 pessoas especiais me deixaram feliz !!!:

Lila Rossi disse...

Oi Dany!

Todos os dias "milhares de Isabelas" são lançadas de "janelas inimagináveis". São pobres Isabelas, ricas Isabelas, órfãs Isabelas, Isabelas dos 2 gêneros. Não temos conhecimento de todos, mas deveríamos ter. Qual o nome do assassino do menino João Hélio? Aquele que foi arrastado após um assalto, pendurado pelo cinto de segurança do carro, ao qual tão cuidadosamente sua mãe o prendeu para protegê-lo. Não sabemos não é?! Ele (o ladrão) não tinha importância, era só um "pobre diabo" de um ladrãozinho que não valia a pena divulgar. E assim, temos tantos outros casos, nos noticiários por alguns dias ou completamente anônimos. Todos são crimes, todos são importantes e todos devem ser esclarecidos. Eu, sinceramente, no caso da menina Isabela, prefiro não perder a minha menina "ilusão" e, apesar das evidências e evidências, só vou acreditar quando a "confissão" vier(Se vier).
Fique em Paz
Bjs,
Lila

Lau disse...

puxa, é pesado né?!
oi amiga, passei p/ ver as novidades e te deixar um bjinhu =))

Sandra disse...

Oi Amiga,me desculpa pelo sumiço,pois estou a trabalhar muito,mais aqui estou para lhe fazer uma visita e ver as novidades,tenha uma otima semana iluminada,beijos.
PS:eu demoro mais apareço,rsrsrs

Vilma Melo disse...

Olá amiga!
Doe seu melhor sorriso!
Esqueça as mágoas!
Seja simples e verdadeiro!
Deseje bem sem saber a quem!
Se entregue as emoções!
E tenha um ótimo feriado!!!
Bjokas no ♥
:)Vilma